Apenas um adendo, minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe
Estou assistindo a A Ilha dos Prazeres Proibidos no dia 20/10/2026, exatos 5 dias antes da votação de segundo turno onde será decidido quem será o nosso presidente do Brasil pelos próximos 4 longos anos.
Faço questão de pontuar esse contexto pois um dos candidatos fez uma propaganda remetendo ao fascista Mussolini, e este é um filme que, além de lançado durante o período da ditadura militar, critica exatamente esse controle pesado que a mão invisível do estado tem sobre nós.
O filme, desde o começo, nos apresenta a uma chamada Ilha, onde aparentemente rola tudo de mais horrível e degenerado, onde se concentram as piores pessoas do mundo e é de extremo perigo ir para lá; e, conforme o filme vai avançando, eu realmente cheguei até a cogitar algo assim: pensei que realmente poderia ter alguma coisa que beirasse a decadência humana, algo como Salò ou até pior, afinal, né, do jeito que todos estão falando dessa Ilha, deve ser de fato algo monstruoso.
Porém, quando nós finalmente chegamos nessa Ilha, eu tive a mesma reação de surpresa da Ana: a primeira imagem da Ilha, de longe, tendo justamente uma igrejinha no meio da cidade, como toda cidade antiga que era construída em volta da igreja, tendo comércios, ruas, hotéis, pessoas; era só mais uma pequena cidadezinha comum, nada demais. E é aí que Sérgio fala: a ilha é um lugar como qualquer outro. Nesse momento, foi onde caiu a ficha do que estava acontecendo e sobre o que eu estava assistindo.
Toda a "evolução" de Ana nesse filme é curiosa: se eu fosse defini-la em uma palavra, provavelmente seria fantoche. A todo momento, muitas pessoas dizem para ela tomar cuidado, não se perder na Ilha, não se render ao "pecado" da Ilha, que ela é uma mulher muito tentadora que pode acabar fazendo isso e aquilo e desistindo da missão para a qual foi contratada, que é assassinar dois procurados pelo então chamado "continente", que seria a sociedade "certa", por assim dizer. Mas, a todo momento, a Ana, sempre que dá de cara com a liberdade das pessoas da Ilha, sente raiva, ela não gosta daquilo; e, todas as vezes que ela tem a oportunidade de se libertar, decide reprimir aquilo e continuar com aqueles pensamentos autoritários e conservadores.
Eu gosto de como o Nilo é um personagem que vive citando poesia e frases que a Ana não entende, pois a Ana entra como essa representação rígida da ditadura burra, que é incapaz de compreender a arte como um todo; afinal, quantas músicas que criticavam escancaradamente a ditadura não passavam pelo controle de censura da época porque eles não eram capazes de interpretar? A brutalidade com que a Ana mata o Nilo, ou a forma como ela exige que as duas meninas tirem as roupas antes de assassiná-las, mostra como funcionam essas ideias extremistas, e como eles, esse lado que pensa dessa forma e apoia, enxergam qualquer um que saia mesmo que um pouco do que eles dizem ser correto.
É impressionante como a liberdade individual de existir do ser humano consegue incomodar tanto esse povo: deputada mulher que se elege sendo contra o voto feminino, deputado que é contra o fim da escala 6x1 mas dos 7 dias da semana folga 4 e fica vestindo peruca sendo contra pessoas trans, então candidato à presidência que tem ligação com milícias e coisas muito piores... Mas, de fato, o ruim de verdade são pessoas que não seguem o que eles dizem ser bom para elas.
Eu gosto de como o filme começa e termina com Pink Floyd, pois Ana, ao cumprir sua missão, mas não cumpri-la da forma que Eles ordenaram, é descartada e morta. Afinal, por mais que ela achasse que fazia parte do grupo que controla esse sistema, ela era só mais um tijolo na parede.
Nota: 4/5. Recomendo, ótimo pornochanchada, editado agora sem censura, obrigado moderação.