r/Livros • u/hyper_hysteria • 4h ago
Resenha Li O Mal-Estar na Civilização, até que Freud não é tão louco assim Spoiler
Olá a todos e uma boa tarde pra vocês :)
Bom, antes de falar do livro, eu sou um estudante de psicologia e, lógico, o nome de Freud não é novo para mim; já tive diversas aulas sobre Freud, mas não tinha lido nada dele. Tinha interesse em ler A Interpretação dos Sonhos antes (não só por ser o mais conhecido de Freud e o mais importante da psicanálise mas também porque vi um trecho de entrevista do Nabokov falando muito mal do livro kk) mas vi diversas pessoas (incluindo meus professores), dizendo que o livro é bem difícil. Então estava em dúvida entre ler 3 Ensaios Sobre a Sexualidade e O Mal-Estar Na Civilização; se você está lendo aqui então já sabe qual eu escolhi
Eu achei o livro bem interessante, principalmente com relação a escrita dele; Freud é um excelente escritor e isso tenho de reconhecer. A coisa que mais ouvi sobre Freud (dentro e fora do curso) foram as teorias mais “doidas” dele (Complexo de Édipo, Eros, etc); mas o livro acaba divagando mais em uma “análise histórica” sobre a violência do homem, guerras (isso que o livro foi escrito 10 anos após o fim da primeira guerra e 10 anos antes da Segunda guerra) e por que não conseguimos ser felizes mesmo com o progresso da nossa sociedade. E às vezes esses conceitos são mencionados acabam sendo até coerentes (embora isso não quer dizer necessariamente que eu concorde com suas ideias)
Também achei interessante o que ele falou sobre arte, já que o maior movimento artístico da época que Freud escreveu esse livro, o surrealismo, era majoritariamente influenciado pelo seu trabalho sobre o inconsciente e os sonhos.
Dito isso achei que Freud faz uma análise fraca do cristianismo e de religiões no geral, muito do que eu vi de Freud onde ele fala sobre religião parece mais ser resultado de “picuinha” do que algo sério, por exemplo a forma como ele chama do Dostoiévski de covarde em seu ensaio por ele ter se convertido ao cristianismo. Freud faz uma análise de Jesus tão patética quanto Nietzsche. O único ponto mais coerente foi a crítica ao mandamento “amai-vos uns aos outros como a ti mesmo”, tirando isso pareceu mais “instabilidade.”
Eu gostei do livro e sinto que ele conseguiu passar de forma compreensível sua mensagem, só que partes dela eu não concordo e não há problema nenhum (afinal cada um tem a sua opinião)
3,5/5
Agora a próxima resenha vai ser de Os Irmãos Karamazov quando eu terminar o livro, que vai ser provavelmente daqui há umas três semanas; até lá ;)