r/FilosofiaBAR • • 2h ago

Discussão O feto é um ser vivo e deve ter direito a vida

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Vamos primeiro estabelecer alguns fatos. O feto é um organismo vivo da espécie humana, que possui individualidade orgânica, metabolismo próprio e está em desenvolvimento. Dito isso, chamar um feto de apenas um amontoado de células ou tratá-lo como um parasita é negar conceitos básicos da biologia. A verdadeira questão, portanto, não é se o feto é um ser humano do ponto de vista biológico, mas a partir de que momento ele poderia ser considerado um sujeito de direitos. Eu já ouvi diversos argumentos a respeito. Alguns dizem que seria a partir do momento em que consegue sentir dor, mas a capacidade de sentir dor não é uma característica que confere humanidade. Se uma pessoa nascesse com uma condição congênita que a impedisse de sentir dor, ela não perderia seus direitos por isso. Outros argumentam que o critério deveria ser a consciência ou a capacidade de raciocinar, mas isso também levanta problemas, já que recém-nascidos não possuem as mesmas capacidades cognitivas de um adulto e nem por isso consideramos que tenham menos direitos. Há ainda quem defenda a viabilidade fora do útero, mas uma pessoa que precisasse de aparelhos para sobreviver, não deveria ter direito a vida? Outros estabelecem o nascimento como marco, mas isso também exige uma justificativa, pois o que muda entre um bebê minutos antes e minutos depois de nascer? No meu entendimento, o que ume um ser-humano idoso, adulto, criança, bebe ou feto, é simplesmente existir enquanto um ser vivo da espécie humana.


r/FilosofiaBAR • • 5h ago

Discussão Você está vivendo ou apenas cumprindo os procedimentos da própria vida?

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A uma forma de prisão que não precisa de grades, mas se constrói aos poucos, por meio de horários, obrigações e expectativas que seguimos sem questionar. No início, tudo parece necessário trabalhar, estudar, cumprir compromissos e organizar o tempo. O problema começa quando a organização deixa de servir à vida e a vida passa a existir apenas para manter essa organização funcionando

Acordamos pensando no que precisamos resolver, trabalhamos esperando descansar e, quando finalmente temos tempo livre, sentimos que deveríamos estar fazendo algo produtivo. Até o descanso se transforma em uma obrigação, como se precisássemos aproveitá-lo da maneira correta. Em algum momento, deixamos de simplesmente viver as experiências e começamos a procurar instruções para tudo, inclusive para nossos sentimentos e relacionamentos

Essa burocracia não está apenas nos documentos e procedimentos das instituições, mas também dentro de nós. Pensamos antes de falar, calculamos como seremos interpretados e tentamos controlar a maneira como os outros nos enxergam. As redes sociais intensificam isso ao transformar experiências em números, curtidas e visualizações. Já não basta viver um momento; muitas vezes, sentimos a necessidade de demonstrar que ele foi especial. Aos poucos, podemos confundir aquilo que realmente sentimos com a imagem que aprendemos a apresentar

Nos relacionamentos, essa lógica aparece quando transformamos o carinho em uma espécie de contabilidade emocional. Contamos quem procurou primeiro, quem demonstrou mais interesse e quem se esforçou mais. A reciprocidade é importante, mas, quando cada gesto se torna uma dívida, a confiança perde espaço para o cálculo. Passamos a analisar tanto as relações que corremos o risco de esquecer como é simplesmente estar com alguém

Isso não significa que devemos abandonar regras, responsabilidades ou planejamento. A organização pode facilitar a vida, assim como os procedimentos podem proteger pessoas. O problema surge quando os meios se tornam mais importantes do que os objetivos e continuamos seguindo regras mesmo depois de esquecer por que elas existem. Algo semelhante acontece quando mantemos rotinas que nos desgastam apenas porque acreditamos que a vida adulta deve funcionar daquela maneira

A tecnologia também contribui para essa sensação. Temos ferramentas que economizam tempo, mas continuamos sentindo que ele nunca é suficiente. Estamos constantemente disponíveis, dividimos nossa atenção entre inúmeras exigências e, quando finalmente não temos nada para fazer, sentimos a necessidade de preencher o silêncio. Em vez de questionarmos se as cobranças são razoáveis, tentamos nos adaptar indefinidamente a elas, como se o problema estivesse sempre na nossa incapacidade de produzir mais

Mas somos seres contraditórios, mudamos de opinião e nem sempre conseguimos controlar o que sentimos. Nem toda experiência precisa resultar em uma conquista, nem todo momento precisa ser compartilhado e nem todo sentimento precisa ser explicado imediatamente. A imprevisibilidade não é necessariamente uma falha da vida; às vezes, é justamente o que nos permite perceber que estamos seguindo um caminho sem saber se ainda queremos percorrê-lo

Não podemos simplesmente abandonar nossas responsabilidades, mas podemos questionar quais delas realmente importam e quais mantemos apenas por hábito. Talvez o contrário de burocratizar a vida não seja viver sem regras, mas deixar de tratar tudo como um procedimento: descansar sem transformar o descanso em uma meta, gostar de algo sem precisar justificar a escolha e mudar de ideia sem considerar isso uma derrota

A pergunta é simples estamos organizando nossa vida para que ela tenha espaço para aquilo que importa ou estamos sacrificando aquilo que importa para manter nossa vida organizada?

É possível cumprir horários, alcançar metas e atender às expectativas e, ainda assim, sentir que alguma coisa essencial ficou para trás. Passemos tanto tempo tentando fazer tudo corretamente que nos esquecemos de perguntar o que realmente queremos fazer. E talvez a maior burocracia da nossa época seja a quantidade de regras que aprendemos a impor aos próprios sentimentos, até o ponto em que já não sabemos mais como viver sem pedir autorização para sermos nós mesmos


r/FilosofiaBAR • • 1h ago

Questionamentos A mentira entra quando o preconceito abre as portas

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Muitas vezes, quem acredita em fake news contra nordestinos, negros, pessoas LGBT+, indígenas e outros grupos já carrega o preconceito que essas mentiras vêm reforçar.

Quando não existe esse preconceito prévio, a mentira não entra com tanta facilidade.

VOTE SEM PRECONCEITO.


r/FilosofiaBAR • • 4h ago

Discussão Se isolar em conjunto: sobre bolhas sociais, saúde mental e a busca por pertencimento

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Todos temos gostos e preferências, e categorizamos o mundo em que vivemos. Isso é facilmente constatável no nosso dia a dia: escolhemos nosso vestuário, os lugares onde desfrutamos da vida social. Acreditamos ter um mínimo de controle sobre isso.

Já discuti em outros momentos sobre os conflitos que abrangem nossas escolhas e comportamentos, mas vale retomar a questão do sentimento de pertencimento a um grupo social, independente de poder aquisitivo. O que ficou expresso com a ascensão dos meios digitais foi o engajamento de um grande número de pessoas em determinadas discussões. Claro que existem indivíduos que se beneficiam de fraudes e manipulam números de seguidores, mas o reflexo do pensamento e da forma de socialização fica registrado e pode ser analisado. As chamadas "bolhas" e os segmentos de interesse são presentes e bastante enraizados, como uma estrutura que se ergueu ao longo de nosso processo histórico.

Muito se questiona sobre a influência digital na formação dos indivíduos, mas devemos ir além: a internet é uma vitrine onde se expõe e se reflete o modus operandi de nossa contemporaneidade.

Hoje trago um problema que vem me preocupando nos últimos meses. Algo que tem me tirado a paciência e prejudicado minha capacidade de interpretação e estranhamento, exigências para um bom trabalho de pesquisa e análise dentro do meu papel de cientista social. Isso é grave, pois não posso oferecer um comportamento profissional se não mantiver a racionalidade e a serenidade para não fazer mau uso das oportunidades, deixando que o senso comum seja objetivo no meu entendimento das situações.

Desde setembro de 2021, faço parte de um grupo focado na busca e manutenção da nossa saúde mental. Ao longo do processo histórico, o senso comum tratou esse tema de maneira jocosa e depreciativa, como se aqueles que sofressem ou procurassem ajuda psicológica, neurológica ou psiquiátrica fossem inferiores e incapazes de recuperação, sendo vítimas de perseguições e violências morais.

Trago o tema saúde mental porque ela é causadora, mas não a única, da criação de duas categorias de indivíduos. Uma delas é formada por aqueles que, por causa de sentimentos reprimidos, saúde clínica não priorizada e motivações fruto de traumas e indecisões acumuladas, reagem e se apresentam como a forma única e final de qualquer conceito ou conjunto de ideias. Eles se denominam como a verdadeira forma de se comportar em sociedade; qualquer coisa contrária é um mal a ser combatido. Esse comportamento não está vinculado à falta de acesso à educação formal nem impede que os indivíduos exerçam alguma atividade profissional. Eles se consideram "pessoas normais". O termo é utilizado pelas duas partes, mas esta a que me refiro tem como caráter o equilíbrio e a harmonia social, sendo agente do conservadorismo da ética e da moral.

O segundo grupo se considera um crítico da visão de mundo e práticas dos mencionados anteriormente, mas mesmo não sendo exemplo de conduta correta e estando sob o risco de falhas e más decisões, também fica claro o seu posicionamento sobre questões sociais e temas ligados ao nosso momento histórico. Esta comparação não visa estabelecer qual grupo está mais correto, sabemos que opiniões e decisões são alteradas conforme temos contato com diferentes realidades. Mas cada um está tendo um papel cada vez mais definidor e objetivo quando me refiro à adesão, permanência e manutenção de grupos sociais. Que em determinados casos, define o indivíduo se opondo até mesmo a orientações e leis profissionais, religiosas e filosofias de vida.

Voltemos ao que consideramos corriqueiro em nossa rotina. Desde o instante que saímos da cama pela manhã, cumprimos um rito, com nossa própria "liturgia" repleta de normas e leis gerais. Isso nos remete ao início de nossa questão, pois o fato de termos acesso a mídias e conteúdos digitais nos fez mais dinâmicos socialmente, visto o grande número de fóruns e grupos em variadas redes sociais. Antes, interagir e compartilhar opiniões com pessoas de gostos e perfis semelhantes era limitado ao nosso grupo de parentesco, profissional, afetivo, escolar ou acadêmico, e restrito à nossa região geográfica e condição econômica. Hoje isso ganhou uma abrangência nunca antes imaginada. Já tínhamos a ferramenta de nos escondermos por trás de máscaras comportamentais, e isso se mostra muito bem integrado ao formato digital. Isso traz reflexões sobre como os efeitos dessa forma de coexistir se apresentam e agem em nossa sociedade. Se você se considera do bem ou do mal, seja lá o que isso signifique para os que estão ao seu redor, você não está mais sozinho, e isso é um objeto a ser estudado, pois estar só e digitar, pode não significar interação e entendimento, mas apenas uma fuga em busca de opiniões que coincidem com as nossas, não uma discussão que gere bons frutos.


r/FilosofiaBAR • • 12h ago

Discussão A IA me faz perguntar se não existe um ecossistema biomatemático?

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Então mano, antes vamos lembrar oq é ecossistema.

Perdoe minha pouca precisão pois não sou biólogo, mas é um ambiente de vida sustentado por 1 conjunto de elementos físicos, químicos e biológicos.

Oxigênio, fungos e carbono faz parte do ecossistema biológico.

Agora vamos pra matemática. Ela não trabalha com fungos, oxigênio, mas com evento e probabilidade.

Ecossistema biomatemático. Nem sei se esse termo existe, inventei agora pra falar de eventos probabilisticos é estatísticos q sustentam a vida biológica.

Exemplo: imagina se uma ilha tem um vulcão com uma mega erupção acontecendo por mês? Improvável dessa ilha ter animais ou vegetais.

Um ecossistema não é só mantida por uma relação entre fatos físicos, químicos e biológicos MAS EM NÍVEIS MAIS PROFUNDOS, POR CIRCUNSTÂNCIAS MATEMÁTICAS

Imagina uma espécie de jacaré que nunca erra o bote? Imagina felinos que nunca morrem?

Isso é uma condição matemática catastrófica pro ecossistema porque o ecossistema depende até mesmo DO ERRO, DA FALHA, DO FRACASSO em algum nível.

Dito isso se a IA persegue os acertos e fsz isso com muita eficiência, ela tá quebrando uma economia q sustenta a vida desde eras.

O resultado é q humanos estão criando uma poluição matemática de um ecossistema e isso vai cobrar um preço.

É como criar uma cobra naja com asas e cérebro humano. Uma entidade que está habitando um mundo matemático nunca antes habitado.

Humanos não odeiam abelhas, mas elas estão entrando em extinção por comportamentos humanos

A IA não odeia humanos nem outra espécie, mas pode ceifar a espécie humana com seu sucesso matemático

Dissertem


r/FilosofiaBAR • • 13h ago

Discussão Aforismos sobre Narrativa.

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Contraponha ao aforismo para desenvolver a ideia melhor.

Me incomoda a necessidade constante de que haja um final feliz a todas as histórias, uma morte honrosa, uma memória póstuma, uma vida que tenha valido a pena ou até mesmo como, em vida, buscamos nos apegar a tempos melhores que estão por vir e/ou promessas de reviravoltas.

Eu tento exercitar todo dia a descrença em qualquer coisa que não tenha sólida base na realidade. Entendo que tenhamos nos acostumado com narrativas épicas, trágicas, sórdidas e célebres, mas a realidade é muito monótona. E buscar conflitos, desafios e se apegar a problemas que sequer existem, com a expectativa de que deles venha a solução para todos os nossos problemas, é imaturo e ingênuo, ao meu ver. Não que eu não me pegue flertando com crenças épicas em que eu ganho e dou a volta por cima, que no fim tudo dá certo e eu seja feliz para sempre. Eu também caio na falácia de crer que minhas chagas serão curadas, que meus traumas terão me tornado alguém melhor, que meus erros tenham me ensinado algo. Mas, sinceramente, nada nunca teve qualquer propósito, se não servir ao acaso, ao azar, ào inominável.


r/FilosofiaBAR • • 10h ago

Questionamentos Política está muito banalizada e a polarização é a prova que não tem ninguém capacitado pra entender o motivo disso

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Agora perto das eleições, nós vemos um fenômeno que evidência muito bem o instinto humano de tribo e sensação de pertencimento (antropologia e sociologia avaliaria isso), ambos os lados atacam cegamente o outro mas ninguém quer abrir mão do que já acredita (filsofia individual avaliaria isso), é muito mais fácil achar que está correto (eu mesmo já fui bolsonarista) do que buscar entender a fonte do erro.

Política tinha que ser tratado como política e quem banalizasse ela, fosse tratado com incompetente. Nós temos diversos critérios antropológicos, sociológicos, filosóficos, etc. Que, além de por um eixo fixo na conversa, seria critério de competência e quem falasse mais com a lógica acadêmica e menos com ataque infundados que seriam descredibilizados.

Tem diversos fenômenos sociológicos que próprios sociólogos formados (aparentemente não são poucos) contribuem estatísticamente para esse argumentos, por exemplo:

* Narrativas tendenciosas que reforçam a bolha (os algoritmos das redes sociais pode explicar grande parte desse fenômeno).

* Dizem ser contra o ódio e que isso é coisa de selvagem mas ambos lados disseminam ódio na cara dura e quando confrontados com esse argumento, ficam sem saber o que falar mas a opinião continua a mesma.

* falam que o políticos deles não são ladrão mas vamos ser honestos, ambos são um lixo e esse papinho que Lula foi absolvido é muita inocência, o que mais em política é manobra pra botar dinheiro no bolso de quem se interessa, argumentar isso é praticamente assumir que todos na politica são bonzinho, o mesmo pro Flávio, só não foi condenado ainda pois é o representante mais forte da direita e os cara vão mover todos os pauzinhos necessários pra ele continuar lá com nada no nome.

* Cada lado se acha mais intelectual que o outro mas ambos só não sabem que nada sabem, todos temos hipocrisias, mas quando uma polarização é tão forte, não se resume a apenas um lado burro e um lado inteligente.

Pra mim, cada um tinha que ter em mente que evoluir é cooperar mutuamente e passar a tratar politica como discussões, onde dá cada um apresenta seu ponto (formado a partir das experiências empíricas e virtudes e não de um conceito pré-formada que só reforça a polarização) e tentam chegar em algo que funcione pra sociedade no geral, em alguns momentos o empresário tem que ser ajudado da mesma forma que o CLT tem que ser, nos somos um organismo gigante que depende um do outro.

Enfim, eu poderia passar o dia inteiro citando contradições de toda essa estrutura, pois politica hoje não é tratado como política mais, a banalização do conhecimento fez com que a pessoa que melhor falasse, seria a que mais teria visibilidade. Eu não defendo nenhum lado, ambos são infundados e todos nós sabemos que no fim, apesar de toda essa briga entre o povo, quem sai ganhando é os 2 políticos que estavam se lacrando igual 2 criança de quinto ano.

OBS: eu resolvi fazer esse post, pois estou dentro das 2 bolhas e engraçado que após o debate, tava todo mundo respostando que o lado deles foi o que o candidato menos mentiu, mas alguém formado e com experiência não faz uma análise do por que disso, eu mesmo já dei um ponto a ser trabalhado e nem sou nada da área de humanas 🤣

Outra OBS: prefiro não expor minha opinião politica mas sou quase um centro, já que minhas convicções e discernimento o mundo me fizeram formar ela, eu nunca vou me basear em um conceito pré formado e aquele velho papo de centro ser pau mandando do lado que tá mais gananhando reforça absurdamente o arguments da polarização (ponto apresentado no titulo)